A Santidade de Jaguaripe

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Heresia dos Índios, livro de Jorge Luiz Silva Carvalho conta a história da “Santidade de Jaguaripe” e é dividido em três partes. A primeira parte vem discutir a respeito das santidades e a idolatria em sua perspectiva Histórica, o seu primeiro ponto é a respeito da Idolatria e o colonialismo. A segundo vêm falando a respeito da aculturação colonial é a terceira, o teatro em torno da inquisição na busca da ‘verdade’ ocorrida em Jaguaripe.
O combate com a sombra. Veremos aqui a descrição de um combate realizado na corte na presença do rei da França. Esse combate simulado enfatiza as diferenças raciais, culturais e religiosas entre os homens cristãos ocidental no mundo colonizado. O profº Ronaldo dá seus primeiros passos a respeito do que realmente que falar em seu livro ao fazer citações de seus pesquisadores favoritos, como Laura de Mello e Souza – que sugeriu em seu livro que o saber demonológico e europeu.
O livro faz sugestão de que a idolatria colonial tinha cunho de resistência contra seus colonizadores, isto é, uma resistência social. Quando ele fala em idolatria, refere-se a um culto religioso inverso da ‘religião oficialmente reconhecida’ (o Catolicismo Romano). Mas o que queremos por em evidência é à busca dos ameríndios por uma Terra sem Mal, talvez uma terra que mane leite mel, um verdadeiro paraíso onde eles não precisassem mais ter de caçar para sua sobrevivência.
Em seu esplêndido livro À Heresia dos Índios, Vainfas procura reconstituir toda a complexa ambiguidade da identidade cultural mameluca, utilizando como ponto de partida a sua participação historiográfica no episódio da “santidade de Jaguaripe”.
Rebeldia dos ameríndios – “Em 1881, aparece no sertão baiano um profeta indígena que juntou à sua volta uma comunidade de algumas centenas de índios e africanos empenhados na procura da ‘Terra sem Mal’. E em 1583 e 1587 Manuel Teles Barreto, então governados da Bahia, escreve que a nova abusão conhecida por Santidade fora à causadora dos distúrbios ocorridos na região. Ouve muitas fugas de forros como também de cativos, fazendas incendiadas…”.
Os senhores de escravos e jesuítas começaram a reclamar pedindo providências por parte do governador, o qual e em 1585, então governador, Teles Barreto enviou uma expedição para cortar o mal pela raiz. E quase ao mesmo tempo partia outra expedição, particular, enviada por Fernão Cabral de Taíde. Esta expedição foi liderada pelo mameluco Domingos Fernandes Nobre, o Tomacaúna. Depois de se ter integrado na “santidade”, estabeleceu contato com a comunidade, Tomacaúna convenceu uma parte dos seus componentes a irem estabelecer-se na fazenda de Cabral. Aí foi criado um novo grupo, chefiado por uma profetiza, que começou a atrair índios escravos das fazendas das redondezas. Com o objetivo de atrair o profeta e a sua comunidade pacificamente para as suas propriedades em Jaguaripe, no litoral. Cabral alegou que desta forma poder-se-ia acabar com este movimento de libertação, luta socioreligiosa. Mas o que se vê é a proteção e uma liderança parda dos ameríndios pelo senhor de engenho, Fernão Cabral de Taíde.
O que os ameríndios buscavam? Eles buscavam o paraíso ideal não aquele idealizado pela igreja, que é o paraíso efémero que será vivido pó morte. O paraíso ideal pode ser comparado ao que Abraão buscou quando Deus o ordenou que saísse do meio de sua parentela e fosse em direção da Jerusalém de idealizada por Ele. Os caraíbas, santidades, idealizava o mundo onde os senhores se tornariam escravos é os escravos em senhores.
Mas quem era realmente este chamado profeta? Certamente era uma caraíba que passará pelas mãos dos jesuítas, pois em seus discursos, de forte emoção, envolvia conhecimento da religião oficial. Ele batizava os que se aderiam ao grupo, carregava no peito uma cruz demonstrando assim um respeito a Deus ou simplesmente um subterfúgio para ludibriar os habitantes da região de Jaguaripe e a fins. Como fica bem claro na documentação pesquisada por Ronaldo Vainfas a respeito da participação de Africanos, ‘negros de Guine’, e de senhoras respeitáveis brancas com por exemplo dona Margarida da Costa que chegou crer no movimento como sendo coisa santa e boa. A chegada do inquisidor provocou uma inquietação em muitas pessoas, um profundo receio de perda de prestigio e/ou até da liberdade. Em nenhum momento o povo de Jaguaripe se perturbou porque ficou claro nas primeiras entrevistas que o visitador não tinha a intenção de punir os senhores de engenho, mas sim aos protegidos de Fernão Cabral de Taíde. Fernão Cabral de Taíde é acusando de ter dado proteção em sua fazenda a um grupo de índios que praticavam cerimônias pagãs. Nos dias que se seguem multiplicam-se as denúncias contra o senhor de engenho: chegam a ser 38, quase um quinto de todas as denúncias feitas em Salvador[3].
Heitor Furtado de Mendonça impeliu o extermínio das santidades. Enquanto tentava reconstruir o episódio e desvendar as motivações dos intervenientes, o Visitador dá-se conta, talvez, de que está a lidar com algo que ultrapassa a sua experiência inquisitorial, pois não compreendia bem a cultura ameríndia. Isso se clareia quando durante seus interrogatórios infinitos. O visitador fica perplexo com a ambiguidade da identidade cultural mameluca da época. Ele não compreendia o porque o mameluco, Tomacaúna, ter-se riscado para se parecer valente e facilitar a sua aceitação pelos índios. Era um misto de incompetência e omissão por parte do seu auxiliar, Fernão Cardim. O que surpreende Vainfas é o fato de que Cardim participou de todas as sessões de interrogatório e das deliberações do visitador. Ele veio para o Brasil em 1583 na companhia de Teles Barreto. No ano de 1590 publica a sua “Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuítica”. Logo podemos dizer que tinha conhecimento parcial a respeito das manifestações gentílicas. E poderia esclarecer o porque das imagens, consideradas por Heitor Furtado como figuras demoníacas. Por exemplo: Tupanasu, “deus grande”, derivado de Tupã, nome que os jesuítas usavam para explicar o Deus cristão e ainda Tupansy, nome pelo qual era conhecida a mãe de Deus (Nossa Senhora). A exposição clareia a distância que já separava a realidades mental do europeu e o universo cultural da sociedade brasileira em formação. E as lutas de interesses existentes no período colónia e as diferenças raciais. A vasta documentação escrita por Heitor Furtado de Mendonça nos demonstra que o interesse primário do visitador era mesmo a caça aos cristãos velho que em dado momento desviara-se do “bom caminho” e aos cristãos novos, os judeus ‘convertidos’ que eram considerados hereges. Enfim, a exposição deste tem a intenção de manter viva a memória da historicidade de um movimento sociocultural que está figurado em diversas manifestações religiosas existente em nossa atualidade. A humanidade esta enferma porque sua alma não progride, só atingiremos o progresso quando esquecermos o nosso “eu”. (Nietzsche[4])


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